O RATINHO PROFESSOR

(WILSON PROTÁSIO)

                        Ontem, como fazemos normalmente nos finais de tarde, sem chuva, nos dirigimos para o jardim que fica na área da frente da nossa casa. Ali, tomamos o nosso cafezinho e como alguns salgados diety, claro, e aproveitamos para arrumar as idéias sobre o dia que está em seu ocaso e para nos programar para o dia seguinte que, queira Deus, possamos vivê-lo. Ao nos aproximar da mesa que sustenta uma sombrinha e serve de centro para as cadeiras que a circundam, nos deparamos com uma cena boba que, por ser surpreendente, nos fez parar um pouco e observar. Foi o lapso de tempo bastante para que um turbilhão de pensamentos invadisse os nossos links de inspiração. Um ratinho degustava, solenemente, algumas migalhas sobre a mesa. O ratinho nos olhou e, ante a nossa aproximação, discreta e lentamente saltou para o chão e espremendo-se por sob o portão fugiu para a rua. Reação normal para um rato, ainda mais justificada pela sua juventude e naturais temores. Afinal, ele é um rato.

 

                        Pensamos, pensamos e foi impossível para nossa mente, não estabelecer rapidamente, uma correlação com os “ratos” que são bípedes, andam eretos, tem duas pernas, duas mãos, para escreverem aleivosias e bocas para falarem excrescências e praticarem outros atos humanos que os ratos, de verdade, não seriam capazes.

O ratinho que fugiu ante nossa presença, assim o fez, por pura necessidade de sobrevivência, Afinal, ele é um pequeno roedor, caçado por séculos pelos gatos e por nós, seres humanos, que os consideramos uma praga.  Pensamos e pensamos e não pudemos deixar de sentir uma certa admiração por aquele minúsculo animal. Pelo menos ele teve coragem bastante para subir a mesa em busca de alimentação. Ora, essa é a sua natureza!! Diferente, completamente diferente, dos “ratos” bípedes, que tem mãos para escreverem aleivosias e bocas para falarem excrescências.

Os “ratos” bípedes não têm a necessária coragem para subir a mesa. Preferem colher as migalhas que caem ao chão, atiradas por outros ”ratos” considerados, por eles, de maior status Degustam esses sobejos como se fossem verdadeiros manjares dos céus. Por não terem vidas próprias, não possuem opiniões formadas sobre nada. Apenas repetem, com incontida veemência, o que não sabem, ou, para atingir seus objetivos funestos e pessoais. Coitados dos que lhe escutam, pois, sem querer e sem saber, vão se integrando a esses discursos, apoiando essas “ratices” e construindo novas tocas de “ratos” bípedes a serviço dos “ratos” de maior status.

Como dissemos, o pequeno rato que vimos sobre a mesa tem na fuga a sua sobrevivência. Os “ratos” bípedes fogem por covardia e desse valor reprovável se valem porque são incapazes de assumir o que falam, de enfrentar realidades e de discutir olho no olho. As migalhas que recebem são, automaticamente, misturadas e ungidas com ódio, inveja e adornadas com a covardia, tempero número um de suas deploráveis “ratices”.

Pensamos e pensamos, como pode um ser humano querer ser um “rato”? Tudo bem. Vivemos em um país livre e democrático, mas, pelo menos e se assim desejarem, se comparem com o ratinho que vimos sobre a mesa, com suas fugas por essência da natureza de sua existência, mesmo que seja um animal considerado asqueroso e odiado.

Pois é. Feitas essas considerações e as inevitáveis comparações. Estamos certos que o ratinho que estava sobre a mesa nos lecionou esse fato. Então:

Senhores “ratos” bípedes fiquem a vontade para suas escolhas, contanto que longe, bem distante da nossa mesa de jardim.

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